Insône
Setembro 24, 2007
Pulei da cama às seis da manhã, depois de fritar por horas, com o ímpeto de colocar no papel alguns fantasmas. Meus olhos doem. A ressaca de ontem foi adiada pelo porre de hoje. A de amanhã? Veremos! Tudo permanece em meus devidos vazios. Estou cansado. Os murmúrios da cidade que ressona, acordando, dizem que devo desistir. Novamente, tentar dormir. A única coisa que me conforta são os livros em minha cabeceira. Sempre eles.
Escrevo sem a certeza de onde vou, como que caminhando em madrugada desconhecida, como sempre e em vão desejei que as madrugadas fossem. Por que as noites acabam? Poderia entrar no primeiro bar e buscar algum rumo pra essa história. Esqueça, o sol está tomando conta deste lado do mundo. Um lado ao qual não pertenço. Aqui nunca consegui achar sentido.
Só fica a certeza de que o degredo, paradoxalmente, me torna vulerável e me fortalece.
Hoje não existo. Até a próxima noite chegar.
Nau Frágil
Setembro 22, 2007
Nau frágil
não é romântico
mas analgésico
de bar em bar
encher o copo
e transbordar
ir a pique
ver nau e fraga
em água profunda
repousar
That girl in a cage…
Setembro 8, 2007
Num diálogo do filme Kes, do diretor inglês Ken Loach, o jovem Billy Casper explica ao seu professor sua relação com seu falcão. “As pessoas me vêem com ele e dizem: ‘lá vai Casper com seu bichinho de estimação’. O que elas não sabem é que ele não é domesticado, é adestrado. Não se deixaria pertencer. É livre, feroz e predador e só volta para mim por ser adestrado. E é isso que o torna sublime.”
Sim, ela me fez lembrar aquele falcão, que decide a quem emprestar sua beleza, sua companhia. Nunca seu espírito. Observando-a e aos homens que a cercam compreendo tudo quando ela termina seu vôo sobre minha luva. Dane-se quem não compreende o que digo. Sim, sou capaz de jogar com clareza esse jogo. Aprendi mais com ela em um mês do que com uma dúzia de relacionamentos (cada vez desprezo mais essa palavra). Jogo com mesma carga de perigo e prazer. Principalmente por confundir quem está de fora.
Nessa história não há espaço para amarras, gaiolas ou o que os valha. Aprende aí, companheiro. Assim também funciona.