É preciso?

Agosto 30, 2007

Normalmente busco a medida para a freqüência do ato de escrever pela existência de necessidade incontida, urgência. Vejo-me impelido a pôr aqui uma ou outra idéia, mas apenas legitimo a palavra ao reconhecer quando é urgente a expressão. Por que estou escrevendo? Escrever, como navegar, é preciso. Exato, lacônico. Caso contrário a pergunta seria outra. Para quem estou escrevendo? Nesse momento perderia o possível teor literário e condenaria o texto ao discurso para agradar. A mim ou a quem quer que seja.

Esse princípio parece evidente nas mesas pelas quais tenho passado. Pessoas falam, bebem, amam, vivem movidas por algo que não conseguem determinar. Navegam por que acreditam precisar. No entanto, estão desorientadas. Não há um porto destino. E esse comportamento me surpreende por publicar-se nas personagens mais inesperadas. Coloco-me em silêncio diante do interlocutor e o monólogo se estabelece tal como este o espera. Melhor se eu fosse um fantoche, com reações manobradas por descarados sofismas. A pantomima fundamental. Um movimento imoral em direção ao sentido desejado.

Tragam-me mais uma dose e um só motivo para estar. Sem forças, deixo a correnteza fazer sua parte. Seja o que quiserem que seja. A ninguém mais parece interessar a denúncia da nudez do rei. Talvez nem a mim mesmo.

Deixe uma resposta