O que resta?

Maio 21, 2007

Após um almoço tardio, como em todos os domingos, me preparava para … outro domingo. Não costumo me divertir muito nesse dia e não é pela razão universal. Há muito os dias têm sido pouco divertidos. Os domingos são apenas uma unidade a mais nessa escala que mede nossa solidão. Apenas coroam a semana.

Vivo só. Desde meus 20 anos. Incluindo aí um período de oito anos de solidão a dois. Aprendi a apreciar o que vem com isso. A leitura, a observação, a música, o apreço por momentos com amigos.

Apesar disso, ultimamente, quando me exponho às situações e às pessoas acabo aborrecido. Mil vezes um gibi. “Mas você conhece muita gente”, diz um amigo numa mesa de bar tentando gentilmente me alegrar, mal sabendo que essa condição não gera dor alguma. Apenas um torpor diante do outro. Anestesia. Conhecer muita gente e saber que mais da metade delas não vale um bom dia. Os outros? Bem, são o que me resta.

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