Fantasia
Maio 23, 2007
“Fiquei sem jeito de falar o que falei antes”, teclei no messenger. “As coisas são assim. Passamos a maior parte do tempo fantasiando”, rebate o amigo. Estava chateado com o reencontro com uma morena com quem havia passado um final de noite que se estendeu até a outra noite. Horas assim só consigo dispender com quem me interessa muito.
Lagoa, alguns dias depois, uma noite de chuva e muitas voltas pra achar um bar aberto que me servisse de suporte para o porre que pretendia construir. Encontro apenas uma lanchonete. Encaro. No canto, com um sorrisinho sacana, a morena. Ora, veja você. O reencontro não dura muito. Outros na mesa resolvem se retirar e uma amiga gostosa, de carona, a arrasta. Espero. Ligo. Não quis ligar horas antes. Agora, tudo bem. “Alô”. “Volta depois”. “Não posso. Já é tarde e amanhã tem trampo cedo”. “Se quiser, tem um lugar na minha mesa até perto do amanhecer”.
Bebo umas latinhas e o cara que tava atrás do balcão começa a jogar água pelos cantos, lavando o bar. Porra! Lagoa de merda. Pego o carro contorno o quarteirão e vejo um boteco aberto. O Diabo existe. Estaciono e entro. O Diabo existe e tá de sacanagem comigo. Lá estão as duas novamente, numa mesa de malucos. Trampo. Sei. A amiga querendo uns tiros. Lamentei desejar um reencontro. Lamentei estar exposto. Lamentei tudo.
Sentei à mesa. Afinal, aqueles malucos também eram meus convivas.
Hoje. Vinho em casa. Meio puto com a noite anterior. Resolvi não ir ao bar onde elas estariam comemorando o aniversario da amiga gostosa. Chega de malucos. Por hoje. Toca o telefone. “Oi. Você não veio. Queria que estivesse aqui”. “Rola outro dia”. “Me liga”. Desligo e penso que encano demais.
“Fiquei sem jeito de falar o que falei antes”. “As coisas são assim. Passamos a maior parte do tempo fantasiando”, rebate o amigo.
O que resta?
Maio 21, 2007
Após um almoço tardio, como em todos os domingos, me preparava para … outro domingo. Não costumo me divertir muito nesse dia e não é pela razão universal. Há muito os dias têm sido pouco divertidos. Os domingos são apenas uma unidade a mais nessa escala que mede nossa solidão. Apenas coroam a semana.
Vivo só. Desde meus 20 anos. Incluindo aí um período de oito anos de solidão a dois. Aprendi a apreciar o que vem com isso. A leitura, a observação, a música, o apreço por momentos com amigos.
Apesar disso, ultimamente, quando me exponho às situações e às pessoas acabo aborrecido. Mil vezes um gibi. “Mas você conhece muita gente”, diz um amigo numa mesa de bar tentando gentilmente me alegrar, mal sabendo que essa condição não gera dor alguma. Apenas um torpor diante do outro. Anestesia. Conhecer muita gente e saber que mais da metade delas não vale um bom dia. Os outros? Bem, são o que me resta.
Re… Começando
Maio 21, 2007
Colocar qualquer coisa em um texto nunca é algo indolor. Tentar não imitar os escritores que aprecio e tornar inteligível o que digo sempre foi um bom motivo para que eu buscasse outras formas de expressão. Incluo aí a fotografia, minha linguagem preferida. Assumidas as limitações, espero que você aprecie.